Desafios do Serviço de Atendimento e Apoio ao Cliente e Sustentabilidade dos Serviços de Água e Saneamento

Na ABMG, trabalhamos diariamente para assegurar um serviço público de abastecimento de água e de saneamento eficiente, seguro e sustentável. A nossa atuação implica, contudo, um conjunto de desafios que têm impacto direto na gestão operacional e financeira da entidade, bem como na qualidade do serviço prestado à comunidade. 

Partilho, de seguida, alguns dos principais constrangimentos identificados pelo Serviço de Atendimento e Apoio ao Cliente, cuja resolução depende da colaboração ativa de todos. 

Ligações obrigatórias à rede pública que ainda não existem 

Nos termos da legislação em vigor, sempre que exista rede pública de abastecimento de água disponível a menos de 20 metros do limite da propriedade, a ligação é obrigatória. 

Apesar disso, persistem situações de prédios que permanecem desligados da rede pública, mantendo o consumo de água através de furos ou poços particulares. 

Esta realidade impede a ABMG de cumprir integralmente os seus objetivos de serviço público, comprometendo a sustentabilidade do sistema, uma vez que as infraestruturas existentes implicam custos fixos de operação, manutenção e investimento que devem ser repartidos por todos os utilizadores. Acresce que apenas a água proveniente da rede pública garante o controlo rigoroso e permanente da qualidade para consumo humano. 

A ABMG tem vindo a identificar e notificar estas situações, promovendo em paralelo ações de sensibilização dirigidas à população, encontrando-se os seus serviços disponíveis para prestar esclarecimentos e apoiar os respetivos processos de regularização.

Utilização de fontes alternativas apesar de estarem ligados à rede 

Verificam-se igualmente casos de utilizadores que, estando ligados à rede pública, optam por utilizar água proveniente de furos, poços ou outras origens. 

Embora a utilização de origens alternativas seja permitida para usos que não envolvam consumo humano, como rega ou lavagens, a substituição integral do consumo da rede gera desequilíbrios económicos. Os custos de captação, tratamento, controlo de qualidade e manutenção das infraestruturas mantêm-se independentemente do volume faturado, limitando a capacidade de investimento e a sustentabilidade global do serviço. 

Importa ainda alertar para situações de interligação indevida entre redes prediais abastecidas por fontes próprias e a rede pública, prática que constitui um risco sério de contaminação e de saúde pública. 

Adicionalmente, em zonas servidas por rede pública de saneamento, registam-se casos de utilização do serviço sem a correspondente faturação do volume de esgotos descarregados, o que gera desigualdades entre utilizadores, penalizando quem cumpre. 

A ABMG continuará a atuar na identificação e regularização destas situações, promovendo uma utilização correta das águas provenientes de fontes alternativas e alertando para as consequências do incumprimento da legislação em vigor, mantendo sempre disponível o apoio necessário ao esclarecimento destas matérias. 

Ligações ilícitas e utilizações irregulares 

As ligações não autorizadas, a manipulação de contadores ou quaisquer alterações irregulares às instalações prediais constituem infrações graves. Estas práticas representam perdas de água, redução de receitas e criam situações de injustiça perante o utilizador cumpridor. 

A ABMG tem reforçado os mecanismos de deteção e controlo, atuando com firmeza, responsabilidade e enquadramento legal adequado sempre que se verifiquem irregularidades, privilegiando igualmente o contacto e a regularização voluntária das situações identificadas. 

Atrasos no pagamento das faturas 

O incumprimento reiterado dos prazos de pagamento por parte de alguns utilizadores dificulta a recuperação da receita gerada pela ABMG e compromete a sua estabilidade financeira. 

A colaboração dos utilizadores é fundamental para garantir a sustentabilidade dos serviços de água e saneamento. 

Todos estes aspetos evidenciam que a sustentabilidade do sistema depende de uma responsabilidade partilhada entre a entidade gestora e os utilizadores. 

Neste contexto, o Serviço de Atendimento e Apoio ao Cliente continuará a trabalhar com proximidade, transparência e rigor, privilegiando o esclarecimento, o acompanhamento e a regularização voluntária das situações identificadas. 

Contamos com o envolvimento de todos para promover uma utilização responsável dos serviços e garantir um futuro mais equilibrado e sustentável para a região. 

Bianca Simões

Chefe do Serviço de Atendimento e Apoio ao Cliente

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