A tempestade Kristin, que atingiu o território do Baixo Mondego e da Gândara no dia 28 de janeiro, provocou impactos significativos nas infraestruturas e na operação dos sistemas de abastecimento de água e saneamento, tendo originado, em vários momentos, interrupções nos respetivos serviços prestados à população.
Na ABMG, a resposta foi imediata. Perante a emergência e a gravidade da situação, a gestão das equipas e a implementação de soluções necessárias exigiram decisões rápidas e uma elevada capacidade de adaptação, num permanente exercício de equilíbrio entre a urgência da intervenção e a garantia da segurança de todos os profissionais envolvidos. As prioridades foram definidas com o objetivo de assegurar o restabelecimento progressivo dos serviços, salvaguardando sempre as condições de trabalho no terreno.
Os trabalhadores e as trabalhadoras enfrentaram um cenário particularmente exigente, marcado por acessos cortados, caminhos danificados, zonas inundadas, falhas generalizadas nas comunicações. As intervenções implicaram percursos mais longos, maior exposição ao risco e jornadas prolongadas. Em muitos casos, foi impossível, durante vários dias, aceder a algumas infraestruturas dispersas pelos concelhos de Montemor-o-Velho e Soure.
A complexidade da resposta foi agravada pelas falhas de energia e pelas interrupções nas comunicações, que afetaram o funcionamento dos equipamentos e a articulação entre as equipas. Em diversas situações, a resposta teve de ser ajustada em tempo real, recorrendo a soluções de contingência e a uma presença reforçada no terreno, num esforço contínuo de coordenação e resiliência.
O impacto não foi apenas operacional. O risco profissional intensificou-se significativamente. A conjugação de infraestruturas danificadas, áreas inundadas e equipamentos sob tensão elétrica, criou condições particularmente exigentes para a realização de intervenções urgentes, impondo elevados níveis de rigor, disciplina e controlo em todas as ações desenvolvidas.
À medida que as condições meteorológicas foram melhorando, entrou-se numa fase de verificação, segurança e reposição. O controlo rigoroso de acessos às áreas afetadas e a realização de inspeções técnicas minuciosas tornaram-se etapas essenciais antes de qualquer intervenção, garantindo não só a segurança dos trabalhadores, como também a eficácia das operações de reposição.
Os danos registados foram expressivos, tendo afetado captações, reservatórios, estações elevatórias, estações de tratamento de água e de águas residuais, sistemas de telemetria e condutas levantadas pelas raízes de árvores. A estimativa global dos prejuízos, na ABMG, ultrapassa 1,3 milhões de euros, refletindo não apenas os prejuízos diretos, mas também os custos associados à reposição das condições de funcionamento dos sistemas.
Apesar da dimensão dos impactos, o fator humano revelou-se absolutamente determinante. Entre constrangimentos pessoais, dificuldades de deslocação e uma elevada exigência física e emocional, os trabalhadores e as trabalhadoras da ABMG mantiveram-se no terreno para assegurar a continuidade dos serviços essenciais às populações. A atuação foi transversal, coordenada e focada na rápida reposição dos serviços, reafirmando o compromisso com a missão de garantir a continuidade de um serviço público essencial.
A ABMG deixa um agradecimento sincero à população em geral, bem como às entidades públicas e privadas, pela compreensão e pelo apoio demonstrados num momento particularmente difícil e exigente. Este reconhecimento reforça o compromisso coletivo com a prestação de um serviço público essencial, indispensável à garantia e à contínua elevação da qualidade de vida das populações servidas.

